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Bem-vindos ao AGaragem.com. Os elementos dos “The Doll & The Puppets” estavam originalmente envolvidos noutros projectos. O que vos levou a juntarem-se e a constituir “The Doll & The Puppets”?
Para além de uma vontade grande de tocar e do prazer musical de cada um, o que levou a banda a juntar-se foi a ligação nocturna que existia entre os elementos. A banda teve origem numa conversa entre o Djan (baixo) e o Mega (guitarra). A ideia de fazer um projecto de drum’n’bass com versões punk era o objectivo inicial. Para isso, integrou o projecto a Laura para a voz, que já tinha alguma experiência em outros projectos em França. Foi convidado, ainda um amigo para fazer toda a parte de batidas electrónicas que também já tinha bastante experiência nesse tipo de som. No entanto, por dificuldades de comparência para ensaiar desse amigo DJ, apareceu o Passos para completar os Puppets, na bateria.
Como definem a música da banda?
Com a introdução da bateria em detrimento de um DJ, a ideia original do projecto [Drum’N’bass] foi modificada. Esta alteração tornou o som mais puro, mais cru e que assim iniciou um novo projecto que iria colocar de parte sonoridades electrónicas, dedicando-se o grupo a suportes mais rock, apoiados em sonoridades alternativas. Já nos atribuíram a influência do punk de 77, mas há quem diga que temos um rock musculado.
O que pensam trazer de novo para o panorama musical português?
Partimos sempre de um pressuposto – está tudo inventado! - No entanto, pensamos que é possível introduzir novos elementos à música. Por exemplo, o poliglotismo da voz, que apesar de não ser original é um motivo que leva à estranheza auditiva de quem ouve. Pensamos também que as diversas influências musicais de cada um, levaram a uma fusão que nos soa a algo singular.
Quais são as influências dos “The Doll & The Puppets”?
Todos nós nos “alimentamos” de música. Dos mais variados géneros. No entanto, antes de sermos uma banda já éramos amigos que tinham como objectivo consumir e fazer música. O Mega e o Djan surgem de estilos musicais mais pesados e agressivos, fazem parte dos Dementia, banda de harcore de Torres Novas. O Passos vem de um estilo mais alternativo, tocou em bandas como os Ilibadabolido ou os Academia Aleluia e vai buscar as influências às sonoridades do início dos anos 80. A Laura, a nossa francesa adoptada, cantou numa banda de pop-rock em França (Indolaure) e assim, como fala um pouco de todas as línguas, também ouve um pouco de tudo.
Cantam em inglês, francês e português. Como têm sido as críticas em relação ao vosso poliglotismo, numa fase em que cada vez mais se fala em cantar em português e a passar mais música portuguesa na rádio?
Como alguém disse um dia – Primeiro estranha-se, depois entranha-se! - Essa é a sensação que temos em relação à crítica, principalmente ao francês cantado pela Maria Dollita. Também construímos música em português, mas é em francês que a Laura se sente mais à vontade para produzir letras, sendo essa a sua língua materna.
Quanto à vontade de se implantar música em português não nos parece mal. Mas num país onde há muito pouco espaço para a música nacional essa questão parece irrelevante. Que se faça música. Linguagem universal por excelência. E que se criem ambientes de comunicação alternativos para podermos falar mais de música e ouvir mais os sons produzidos no nosso país.
No Festival de Música Moderna de Corroios ficaram em 3º lugar, entre 163 bandas que concorreram. Como foi a sensação? Que retorno vos trouxe?
Reza a história, que é actualmente o festival mais antigo do país. Para nós foi um orgulho termos chegado à final, tendo em conta a afluência de projectos candidatos. Ficar em terceiro foi uma vitória para nós. Mas mais do que o "jogo" é o lado humano destas iniciativas que recebemos como prémio, no qual se conhecem pessoas que lutam pela música em Portugal. Entre as quais, as bandas com quem tocámos e toda a organização.
Para além destes conhecimentos, o retorno tem sido bastante positivo, pela visibilidade que nos deu no cenário musical em Portugal.
Depois da maquete de estreia, “4 Short Stories By Maria Dollita”, têm planos próximos para a gravação de um álbum em estúdio?
Sim. É um dos nossos objectivos. A maquete foi um objecto importante na nossa divulgação, o nosso meio para nos introduzirmos em rádios e em espaços que nos queriam ouvir. Foi inclusive, considerada a terceira melhor maquete de 2006, pelo programa “Santos da Casa” da RUC. Quanto a um novo projecto, ainda não sabemos quando, mas temos músicas novas que queremos gravar e assim reunir estas sonoridades para produzir um álbum. No entanto, pensamos que não é fácil “fabricar” um disco em Portugal. Sair da “garagem”, continua a ser um passo difícil.
Quais os vossos planos até ao fim deste ano, em termos musicais?
Continuar a tocar. Continuar a fazer concertos, a ter convites para os fazer e melhorá-los. Este é o nosso principal objectivo para o resto do ano. No entanto, entrar em estúdio e gravar, é algo que pensamos fazer ainda este ano…
Sentem que sites como o AGaragem.com são importante para a promoção e divulgação de bandas em início de carreira?
Claro que sim! Em primeiro lugar queremos agradecer ao site agaragem.com a possibilidade de nos podermos apresentar como projecto. Num país em que são poucos os meios de comunicação que dão voz a projectos como o nosso, é na Internet que encontramos a nossa divulgação. E sites como agaragem.com são a base de muitas bandas para poderem sair da sala de ensaio e darem a conhecer o nome e música que fazem. Por isso, obrigado!
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