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Soulbizness, os vencedores do TMN Garagem Sessions, foram os primeiros a actuar, seguidos de Cool Hipnoise. A banda de Milton Gulli e Marga Munguambe ofereceu um espectáculo repleto de cor e ritmos africanos. As sonoridades em palco chegaram a aproximar-se do kuduro, a nova tendência forte do mercado, como prova a chamada de Buraka Som Sistema a cabeça de cartaz do dia.
Armandinho foi o artista seguinte. O cantor, que actuava pela primeira vez fora do Brasil, mostrou-se bastante emocionado pela recepção que teve. Entre apelos à “energia da positividade” e uma música baseada na MPB e no reggae brasileiro, Armandinho tentou demonstrar a razão do seu sucesso neste lado do Atlântico. Mas todo o espectáculo pareceu demasiado morno e sonolento. O músico entoou alguns dos seus temas mais conhecidos, como “Pescador” ou “Casa de Sol” mas faltou garra suficiente para agarrar mais público. No fim, “Ursinho de dormir” fechou a actuação, quando já todos esperavam a entrada em cena dos dinamarqueses Outlandish.
O grupo de Waqas Ali Qadri, Lenny Martinez e Isam Bachiri cativou o público ao longo do espectáculo. Através das letras marcadamente políticas e das influências étnicas distintas de cada um dos seus elementos, os Outlandish conseguiram pôr o público a vibrar. Mas ainda em pouco ritmo, comparando com o que se seguiria no fim da noite. Contudo, êxitos como “Peelo” – que abriu o espectáculo –, “Guantanamo”, “Look into my eyes” e o muito celebrado “Aicha” deram um ar da sua graça na Herdade da Casa Branca.
De seguida, o palco principal recebeu The Cinematics, liderados por Scott Rinning. O grupo escocês pareceu uma carta fora do baralho no alinhamento deste segundo dia de festival. O rock indie marcadamente britânico, influenciado pelos 80’s, surgiu como um balde de água fria no meio dos sons quentes que passaram pelo palco. Nem mesmo temas como “Break”, “Keep Forgetting” ou “Strange Education” – que dá nome ao álbum de estreia da banda – serviram para motivar a maior parte dos festivaleiros, apesar da entrega do vocalista – que derramou litros de suor para a sua camisa de menino bonito.
Entretanto, no palco Planeta Sudoeste já haviam passado o angolano Nástio Mosquito, que fez da provocação a sua imagem de marca, Balla e Data Rock. Estes últimos a deixarem uma óptima imagem no público presente, através da oscilação audaz entre o rock e o electrónico. De capuzes vermelhos, que já são imagem de marca do grupo, os Data Rock cativaram através de temas como “Sex me up” e “Fa-fa-fa”.
Mas o destaque da noite no palco secundário estava ainda para vir. Os brasileiros Bonde do Rolê puseram milhares de pessoas a satisfazer o ‘fetiche do DJ’ por sovacos. O público pulou e vibrou com o funk-carioca e, principalmente, com Marina Vello, a vocalista que parecia possuída. Marina berrou, cantou, provocou e acabou a noite quase despida. As músicas, que revitalizam o calão brasileiro, entraram no ouvido de todos logo a partir do primeiro tema tocado, “A dança do Zumbi”. De seguida, “Dança da Ventuinha”, “Solta o Frango” ou “Marina Gasolina”, entre tantas outras, levaram a audiência a sacudir o pó do chão, despertando a sensualidade que ainda não se tinha visto neste Sudoeste.
No palco principal, os muito esperados Cypress Hill davam o concerto aguardado há anos em terras lusas. Os guardiães da velha escola do hip-hop demoraram 16 anos a chegar a Portugal (foi em 1991 que editaram o seu primeiro álbum) mas os fãs fiéis não desmoralizaram. O grupo de B-Real e Sen Dog apareceu seguro com a dose certa de êxitos na algibeira. “How I could just kill a man” e “Insane in the brain”, entre outros, provocaram uma explosão na audiência. Mas o segredo fundamental foi mesmo a empatia com o público e a comunicação constante em castelhano. No fim, a despedida com a descida dos músicos para junto do público foi memorável.
O palco principal encerrou com Buraka Som Sistema e a fogosa angolana Petty. O grupo, que popularizou a noção de Kuduro progressivo, pôs a plateia a soltar o lado africano do corpo. Petty prometia uma noite sem parar, até às seis da manhã, por entre gritos e obscenidades que todos repetiam. Era a noite de regresso às ruas, ao calão, à barbárie. E a maioria gostou, apesar das críticas que se faziam ouvir por alguns pontos do recinto. “Se é para ir para o palco gritar ‘filho da …’, isso também eu conseguia fazer”, reclamava um festivaleiro. Contudo, no fim da actuação, que não foi além das 03h30, já a maioria estava rendido ao ritmo quente do kuduro, numa dança contagiosa que não parava. Até Marina Vello e a sua trupe do Bonde do Rolê se juntaram ao ‘degredo’ em palco, numa prova que o elogio da rua e do gueto está na moda, em ambos os lados do Atlântico.
Entretanto, pelos palcos secundários, passavam nomes como Mary Ann Hobbs, Mary B, Steel Pulse ou Robbo Ranx + General Levy.
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