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Festival Sudoeste – 3º dia

   Festivais - Reportagens

No terceiro dia do festival Sudoeste, o fim-de-semana trouxe uma grande enchente à Herdade da Casa Branca. Contudo, tudo o que passou em palco soou morno quando comparado à agitação que Manu Chao e Buraka Som Sistema causaram, nas noites anteriores. Apesar disso, Patrick Wolf, Vanessa da Mata e Groove Armada mostraram a garra com que se tece a qualidade musical.

Este dia de 4 de Agosto teve o cartaz mais preenchido de todo o festival. Seis bandas no palco principal e doze nomes distribuídos pelos dois palcos secundários prometiam muita escolha para as várias preferências. A começar, os britânicos Air Traffic apresentavam o seu álbum de estreia “Fractured Life” para uma ainda escassa audiência. Mesmo assim, temas como “Shooting Star” ainda arrancaram algum entusiasmo do público.

Entretanto, no palco secundário, os brasileiros Eta Carinae cediam o palco a Tiago Bettencourt. O ex-Toranja apresentava um concerto à experiência, na sua estreia a solo. No público estavam presentes muitos fãs da extinta banda, que vieram apadrinhar a actuação do vocalista. “Se reagirem bem nunca mais paramos de tocar”, avisava Tiago. Ao longo do reportório ainda escasso (sete músicas), o cantor seguiu um caminho muito parecido com os temas a que nos habituou, apesar dos solos de guitarra mais frenéticos. “Canção Simples” e “Noite demais”, a título de exemplo, pareceram resultar bem na audiência.

No palco principal, o destaque era dado aos portugueses Sérgio Godinho e Sam, the Kid. O primeiro guiou o público pela música popular portuguesa, através de grandes êxitos do passado, como “O rei vai nu” ou “É tão bom” – que conseguiu pôr todo o público a cantar a uma só voz a banda sonora da série infantil “Os Amigos de Gaspar”, de 1988 – mas também temas mais recentes, como “Marcha da Centopeia”. O músico, que manteve sempre uma postura acessível durante todo o concerto, teve o seu auge em “Com um brilhozinho nos olhos”, que aglomerou o coro dos milhares presentes.

Já Sam, the Kid deu o espectáculo de hip-hop esperado. O músico confirmou que estamos perante um dos grandes nomes da música nacional e a sua empatia com o público foi quase imediata, o que ficou comprovado com o grito colectivo por “Chelas”. O espectáculo começou ao som de “A partir de agora” e “Juventude (é mentalidade)” e a partir daí iniciou-se o constante menear da cabeça ao som do hip hop tuga.

O primeiro arrefecimento da noite deu-se pela mão de The Streets de Mike Skinner. Ao projecto do cantor de Birmingham faltou a garra para segurar a multidão. Contudo, Mike, vestido a rigor com uma t-shirt do festival, ainda despertou as atenções com “Don't mug yourself”, “Let's Push Things Forward”, “All Goes Out The Window” ou “Never went to church”.

Mas o terceiro dia do festival iria arrefecer ainda mais com a banda de tributo Australian Pink Floyd. Apesar da qualidade demonstrada, através dos solos brilhantes – ao nível dos originais – e do coro feminino, a banda australiana não conseguiu convencer os festivaleiros que se foram ausentando aos primeiros pingos de chuva. Contudo, “Money” e “Wish you were here” ainda obtiveram o coro geral dos resistentes.

Se a chuva provocou a debandada do palco principal, foi também uma benesse para o espectáculo de Vanessa da Mata, no Planeta Sudoeste. A brasileira, que actuava num recinto coberto, conseguiu com a sua voz acolhedora chamar o público desiludido com Australian Pink Floyd. A cantora de “Não me deixe só” aproveitou da melhor maneira a promoção do novo álbum “Sim”.
Antes dela, já o palco secundário havia recebido os internacionalmente aclamados Sondre Lerche, Patrick Wolf e Koop. O primeiro passou um pouco despercebido por entre temas como “Well well well” ou “Sleep on needles”. Mas Patrick Wolf deu o espectáculo da noite, ao entregar-se de corpo e alma à actuação. O jovem e excêntrico artista acabou por tirar alguma roupa e extasiar os presentes ao longo do concerto. “The Magic position” ou "Accident & Emergency" levaram o público ao rubro, à semelhança do que ocorria com o próprio cantor.
Já os requintados Koop, nascidos do mundo do Jazz e com influências de meio-mundo musical, deixaram a plateia num chill-out bastante aplaudido. Acompanhados pela voz doce e inebriante de Ane Brun, os Koop transpuseram o universo sonoro de uma orquestra para o recinto do Sudoeste. Músicas como “Koop Island Blues” levaram o público a viajar para o ambiente de múltiplas vivências dos Koop.

Com horas de atraso sobre a hora combinada (devido a complicações aéreas) – o que levou a alterações no alinhamento – os Groove Armada finalmente pisaram o palco principal do Sudoeste 2007. Sem Tom Findlay, o conjunto conseguiu mesmo assim aquecer a temperatura do recinto e levar a uma enchente de público. Através da recordação de êxitos passados, “My Friend”, “I See You Baby” ou “Superstylin”, e de músicas recentes como “Get Down”, os Groove Armada serviram a dança animada que fechou o cartaz principal do dia. De salientar também os efeitos cénicos em palco, que contribuíram para um espectáculo não só ao nível auditivo como também visual.
Entretanto, em after-hours, continuavam Sonic Júnior e Hugo Santana, no palco Planeta Sudoeste, Saian Supa Crew e Sounds Portugueses, no Palco Positive Vibes.


Reportagem: Marisa Figueiredo
Fotos: Raul Balreira



Festivais anteriores:

- Lagoa Burning Alive 2007

- Festival Sudoeste 2007 - 4º dia

- Festival Sudoeste 2007 - 2º dia

- Festival Sudoeste 2007 - 1º dia

- FESTIVAL DELTA TEJO 2007

- Festival Oeiras Alive!07

- Festival Radar

- Sagres Surf Festival

- Vilar de Mouros 2006

- Lisboa Soundz

- Hype @ Tejo

- Algarve Summer Festival

- Super Bock Super Rock

- MTV "Live'n'Loud"

- Festival Andanças

- Paredes de Coura

- Open air: Sunrise Festival

- Sudoeste TMN

- Vilar de Mouros

 
 

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