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Coube a Albert Hammond Jr. inaugurar o palco principal no dia do adeus. O guitarrista da banda The Srokes lançou o ano passado o álbum a solo, “Yours to keep”. Com ritmos electrizantes de guitarra, o músico teve a infelicidade de disputar o público com os portugueses Tara Perdida, que a essa hora tinham o recinto cheio.
A banda de hardcore portuguesa veio alimentar a fome de moche que já se fazia sentir no festival. Assim, milhares gritaram as palavras de ordem “Somos Tara Perdida”, acompanhando João Ribas. O concerto foi um sucesso do principio ao fim, através de temas como “Feia”, “30 dias” ou “Lambe-botas”, acompanhados pelos seguidores fieis, entre muitos moshes e crowdsurfing.
Entretanto, os Razorlight ocupavam o palco principal. Johnny Borrel e companhia cederam energia ao palco principal, mas a pouco gás. “In The morning” e “Golden Touch” deram o mote de início mas os temas mais sonantes foram aqueles guardados estrategicamente para o fim, "I Can't Stop This Feeling I've Got" e a muito celebrada “América”.
Logo a seguir, Phoenix trouxeram uma nova frescura ao palco principal. A banda francesa de Thomas Mars conquistou uma vasta audiência graças aos sons de rock alternativo tocados mas, principalmente, à simpatia demonstrada. Ao fim da actuação já muitos estavam rendidos a este rock com ‘french accent’, mesmo aqueles que até então desconheciam a banda. “Bonsoir mes amis”, saudou Thomas com simpatia, mesmo antes de cantar “Run, run, run”, a música que mais agitação provocou na audiência. Depois disso “Consolation prizes” e “Second to none”, a terminar, tornaram-se num momento bem passado. Thomas Mars acabou mesmo a actuação a cantar junto à primeira fila do público, enquanto os fãs mais acérrimos não se cansavam de tentar diálogos improváveis.
Até que James entraram em palco e já ninguém se lembrou mais do que ficou para trás. Não se sabe se foram as saudades desta banda lendária, se foi a presença alucinada em palco de Tim Booth, se foram as músicas que todos sabemos de cor ou, simplesmente, a necessidade de aproveitar em grande o último dia de festival. Não se sabe ao certo o que foi, mas a verdade é que a banda de Manchester arrasou os milhares que assistiam, arrebatados, ao seu regresso, numa concentração de público só rivalizada pela actuação de Manu Chao, na primeira noite.
E Tim Booth não faz a coisa por menos. “Born of Frustration” foi o tema que iniciou o concerto, para contentamento de todos. De seguida, o alinhamento passeou pelos êxitos esperados, “Tomorrow”, “Sit Down”, “Laid”, entre tantos outros. De facto, se há bandas capazes de fazer um concerto só com singles de êxito, os James são uma delas. O público não se cansava e acompanhava cada palavra cantada por Booth que, visivelmente emocionado, se desfazia em sorrisos. Até que membros do público foram mesmo convidados a dançar selvaticamente em palco, de maneira quase tribal, à semelhança do vocalista. No final, depois do encore obrigatório, as mais de 30.000 vozes presentes no recinto afinaram-se para um final em beleza. “She’s a star” encerrou o regresso dos James, mas, afinal, o que todos sentiam é que a ‘estrela’ era mesmo ele, o incansável Tim Booth.
No palco secundário, Trail of Dead lutavam para segurar o pouco público que não assistia ao concerto de James. Antes deles, Guillemots e Of Montreal já haviam impressionado a audiência do Planeta Sudoeste. A banda de Fyfe Dangerfield deixou-se levar por desvarios experimentais e conseguiu agradar através de temas como “Trains to Brazil” e “We’re Here”. Graças à presença do guitarrista brasileiro MC Lord Magrao, a ligação com o público foi rápida e eficaz.
Já Of Montreal deram o espectáculo visual da noite. As roupas de Morte, as meias de rede e as projecções surrealistas em palco vestiram o pop/rock psicadélico da banda. A banda de Kevin Barnes alterou a lei da gravidade em “Heimdalsgate Like a Promethean Curse”, ao dar energia suficiente à multidão para dançar frenética e selvagicamente.
Babylon Circus encerraram o palco principal desta edição do Festival Sudoeste. O grupo de dez elementos iniciou ritmos dançantes de ska, reggae e jazz mas tal não foi suficiente para segurar todo o público de James, que rapidamente procurou outros sons.
No palco secundário, The National pareciam uma boa alternativa. Contudo, o grupo de Matt Berninger ficou aquém das expectativas. A banda de “Alligator” nunca se soube encontrar em palco, muito por culpa de más condições de som e do estado alegadamente pouco sóbrio do vocalista. Mas nem mesmo assim a algazarra em torno do grupo se dissipou e temas como “Lit Up” e “Fake Empire” foram cantadas a uma só voz por todos.
Por fim, para esgotar as últimas forças do festival, Stereo Addiction e Rui Vargas deixaram o Palco Planeta Sudoeste ao rubro. Do outro lado, os Pow Pow Movement serviam sons embebidos na Jamaica no Palco Positive Vibes, para outros gostos. Até às 5h00 foi tempo de queimar os últimos cartuchos do espírito festivaleiro. Depois, chegou a hora de fazer as malas, desarmar as tendas e dizer ‘até para o ano Sudoeste’.
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